Crônica

    A corrupção continua. A instabilidade também. O que estão fazendo com os brasileiros?! Até quando teremos de esperar para que tenhamos no nosso país o que todos os brasileiros merecem: dignidade, respeito, tranquilidade. Tudo parece nebuloso e cinzento. Que horror. Não podemos deixar que este clima ruim torne nossa vida ruim. Temos que mandar tudo que é merda para a merda e sermos felizes, ninguém nem nada pode tirar a felicidade da gente. É terrificante o que acontece no mundo todo, desarmoniosamente. Todas as pilastras tradicionais parecem abaladas, até quando caminhos surgirão claros no horizonte?! Caos caótico, caótico caos, como viver nesse estado deplorável?


 
   
Poema

DESILUSÃO

quase sempre
desmanche
de utopias
criadas
de idealizações
inventadas

vindas
do choque
que a realidade
impõe

com a gente mesmo
quando se descobre
o que se é
o que se pode

com a mulher
buscada
como fonte
de todo prazer
de toda felicidade

com a sociedade
a religião
a política
as pessoas
como idealizadas
imaginadas
perfeitas
sem limitações humanas

desilusões
fonte
da realidade



    Crítica Literária

    Gabriel García Márquez é um dos maiores escritores universais.            
    Publicou algumas obras-primas e mais importantes do romance e do conto de nosso tempo.
    Está também entre os que mais se destacam no gênero crônica; nesse setor está seu livro: “Crônicas; obra jornalística 5, 1961-1984, trad. e prefácio de Leo Schlafman. Rio de Janeiro: Editora Record, 2006, 768 p.”, um conjunto de 173 textos, com a indicação das datas de suas publicações, onde García Márquez fala de tudo: políticos do seu país e do mundo, personagens marcantes de várias áreas, acontecimentos banais e da mais alta relevância, tópicos sociais, seus sentimentos e convicções, etc., etc. etc., sempre dentro do que é uma crônica jornalística; sem perder jamais o maravilhoso estilo de que é um consumado mestre.
    Todas as suas crônicas são primorosas e deliciosas de serem lidas, alguns dos assuntos que mais me tocaram foram os seguintes: Os vários momentos em que García Márquez fala sobre literatura em geral, a dele próprio e tópicos variados que envolvem o escritor; também sobre cinema, música, teatro; seu pavor de viajar em avião; a presença da flor em variados tópicos, um dos mais encantadores é “Como as flores sofrem”, p. 297-300, de um lirismo enternecedor; a goiaba aparece em repetidos momentos; fantasmas variados perseguem-no sem parar; dois textos, p. 241 e 247, ajudam-nos a entender muita coisa, sobretudo o inesperado final, de seu livro “Crônica de uma morte anunciada”. Essa obra de Gabriel García Márquez mostra de maneira retumbante que a crônica pode ser de um inestimável valor em vários tópicos, inclusive o literário.