Crônica
   
    O que tem acontecido no Brasil e no mundo deixa-nos a impressão de que estamos vivendo num mundo de malucos, desatinados. Presidentes de grandes países comportando-se da maneira mais inadequada possível. Certas cabeças de corrupção têm sido cortadas, mas logo renascem centenas de outras nos lugares mais inesperados. Pais torturando filhos por dezenas de anos em país dito civilizado. Religiosos pedófilos deram um borrão na visita do papa ao Chile. Fim de 2017, começo de 2018, felizmente, choveu um pouco mais do que no período passado.

    Poema

OBJETOS

cercado de objetos
para tudo a qualquer hora

mesa e cadeiras
refeições
trabalhos
laser
particulares públicos
luxuosos simples

vestes
detalhes inficnitos
cotidiano festejos
muda muda muda

carros
desejo universal
entupindo trânsito
antigos moderníssimos
corridas

habitações
fazenda casa apartamento
escritórios
comerciais familiares
favelas ruas

ar
aviões
satélites
balões
drones
discos voadores

mar
navios iates botes
jangada
submarinos


objetos objetos objetos
novos novíssimos

dá para viver sem eles


  


    Crítica Literária

O Escritor Emil de Castro

    Emil de Castro é um nome que sobressai, na literatura brasileira contemporânea. Sua produção literária multifacetada é vastíssima em vários gêneros; mas, é marca sua, tudo que escreve é imensamente poético.
Ele destaca-se como o desvelador de profundezas e abismos insondáveis, no mar, nos acontecimentos, nas pessoas e no interior de cada um de nós, em obras poéticas como 50 Poemas Escolhidos pelo Autor; Vozes do Mar; Estação de Partida; Reserva de Sonho e no livro de contos, A Ponte. Além do altíssimo valor literário, são textos de profunda reflexão filosófica, social e existencial, que permeiam a vida e a morte, mistérios e suprarrealidades, também surpresas que se escondem no banal cotidiano.
    Outra magnífica criação de Emil de Castro são os Jornais Literários, onde o autor anota, sempre com toques poéticos apesar dos textos serem escritos em prosa, em ordem cronológica dos aconteceres narrados, o que ele capta de si mesmo, de outras pessoas de várias categorias, de pulsações literárias em muitos níveis, de ocorrências múltiplas, de coisas banais e de alta complexidade; enfim, tudo que pulula no seu mundo interior e ao redor dele mesmo. Isso está em dois livros A Sinfonia de Caracóis, de setembro de 1993 a dezembro de 1997. A outra obra é A Cor da Multidão, de 2008 a 2013. Uma vez mais, além do valor literário dessas produções, é incalculável os vários outros valores, (como indicamos acima), e profundíssimo impacto antropológico.
    Emil de Castro apresenta uma maneira supercriativa de mostrar a eternidade da boa poesia, em obras como Código da Terra e Baú de Ossos, também em Águas de Ontem, publicando poemas produzidos e enfocando temas da atualidade, juntamente com poemas feitos a 50 ou mais anos atrás. É maravilhoso notar como ambos fazem ressoar a essência do ser humano captada poeticamente com toda profundidade no passado, presente e futuro. É a poética de Emil de Castro veiculando a poética universal de desocultamento do humano da humanidade.
    Como se pode notar, surpresas não faltam na obra de Emil de Castro. Recentemente publicou dois livros de história. Em 2015, Prefeitos de Mangaratiba, narra as realizações de (16) dezesseis desses governantes; o primeiro, Manuel Moreira da Silva, de 1923 a 1927; o último, Evandro Bertino Jorge, de 2012 a 2015. Ressalte-se que foi prefeito de Mangaratiba, de 1989 a 1992, Emil de Castro, que exerceu vários outros cargos públicos, inclusive o de vereador. O outro livro, de 2017, é Retalhos da História de Mangaratiba. É dividido em várias partes, iniciando com Cancioneiro de Mangaratiba, poemas sobre os indígenas, originais do lugar; os primeiros desbravadores; as construções iniciais; enfim os fundamentos históricos e míticos de Mangaratiba. A seguir, em prosa, são elencados vários tópicos, como as tradicionais famílias do lugar, personagens importantes e uma série de outros detalhes, como Anotações do Império, terminando com Topônimos Tupis de Mangaratiba. Apesar de serem obras históricas, é admirável como o olhar poético de Emil de Castro permeia tudo isso.
    Do muito que se poderia ainda falar sobre as criações de Emil de Castro, gostaria de destacar o seguinte: em tudo que ele escreve, em verso e prosa, há a presença constante de Mangaratiba, cidade-mar-natureza, sem jamais perder a universalidade do sentimento literário e poético.