Crônica

    Eleições nos Estados Unidos, coisa complicadíssima, eleito presidente: Donald Trump, o mundo está em expectativa. O ENEM foi realizado; foi criado para ser um substituto do vestibular, tornou-se algo mais terrificante que qualquer vestibular. Continuam usando faca para assassinatos, bestialidade sem par, com inusitados assassinos e mortos. Personagens políticas importantes presas sob pesadas acusações de bandidagem. Que bom fazer uma viagem para longe do nosso cotidiano, cansa o corpo, mas alivia e rejuvenesce o espírito. Está fazendo uma friagem intensa fora de época, como o tempo está mudado. Morre Fidel Castro: salvador revolucionário, para uns; sanguinário ditador do “paredón” e outros hediondos crimes, para outros. Ultrapassamos mais uma crise política. Votações importantes na Câmara e no Senado Federais. Avião que cai, mata até time de futebol.



Poema

Chuva

benfazeja
hidrata atmosfera
umedece a terra
abastece lençol freático
locupleta represas rios lagos
torna a natureza verdejante
favorece produção de alimentos
abundância abundância abundância

destruidora
barreiras obstruem estradas
alagamentos alagamentos
desalojados desesperados
perdas totais
mortos desaparecidos

é
o renovar contínuo
de condições
do desabrochar
cada vez de novo
da vida


    Crítica

    Alexandra Vieira De Almeida

    O livro Dormindo no Verbo, de Alexandra Vieira de Almeida, é um contínuo ultrapassar poético da metafísica ocidental. Cada poema, cada verso são estertores poéticos do ser, tentando presentificar-se como Poesia no verbo tantas vezes tortuoso de Alexandra. Os entes que nesse poetar aparecem são, uma vez mais, caminhos para que o ressoar da Poesia Eterna seja pleno. Tudo isso acontecesse no mais violento temporal poético; relâmpagos, inundações, cintilares de trovões, redemoinhos e sumidouros abalam, cada verso, mais ainda cada expressão, constituindo-se num tsunami contra o estabelecido, na desnudação de um nada, onde todo o verdor da originariedade possa de novo florescer. O livro Dormindo no Verbo de Alexandra Viera de Almeida é um terrificante abalador de pilares que pareciam fincados e seguros para sempre.